A Justiça Federal condenou três empresários por submeterem dez trabalhadores de uma obra de uma creche à situação análoga à escravidão. O caso foi descoberto em 2014 quando a empresa havia sido contratada pela prefeitura para a construção. Cabe recurso.

De acordo com a ação proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), e assinada pela procuradora da República Flávia Rigo Nóbrega, os dez trabalhadores, entre eles um adolescente, viviam em uma casa precária que a empresa disponibilizou como alojamento nas proximidades da obra.

Não havia iluminação nos cômodos e as instalações elétricas eram precárias. Nos alojamentos, eles tiveram que construir os próprios beliches ou dormir no chão. Os trabalhadores tiveram atrasos no pagamento dos salários após dois meses e tiveram que contrair dívidas em uma mercearia para conseguir se alimentar, já que só recebiam arroz e feijão da construtora.

Todas as condições precárias foram constatadas em uma fiscalização conjunta do sindicato da categoria, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho. No local não haviam portas nos quartos ou no banheiro – que recebeu uma porta construída pelos próprios trabalhadores.

A instalação também não tinha água encanada. Os trabalhadores eram das cidades de Xingo (Alagoas), Monte Alegre (Sergipe) e Cunha (São Paulo).